sábado, 26 de janeiro de 2013

REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Observação: Sempre procurei em livros de gramática e livros didáticos autores que trouxessem de forma clara e objetiva conceitos e exercícios sobre as regras de acentuação gráfica. Fiquei muito feliz quando encontrei essa preciosidade no volume 1, da coleção ‘Novas Palavras” dos autores: Emília Amaral, Mauro Ferreira do Patrocínio, Ricardo Silva Leite e Severino Antônio Moreira Barbosa, da Editora FTD. Portanto, como não sou egoísta,  gostaria de compartilhar com todos os interessados em conhecer melhor as regras de acentuação gráfica. Vamos nessa???

Grande parte das regras de acentuação gráfica leva em conta a posição que a sílaba tônica ocupa na  palavra. Outras levam em conta a existência de encontros vocálicos na palavra.
          As regras que orientam a acentuação gráfica das palavras no Brasil foram estabelecidas em 1943 e passaram por algumas pequenas alterações em 1971. Depois, em 1990, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado pelos países que têm o Português como idioma oficial, introduziu mais algumas modificações, fixando, assim, as regras atualmente em vigor:

 Conceitos preliminares

 A correta aplicação das regras de acentuação gráfica depende inicialmente de conceitos elementares. Vamos relembrá-los:

 I. Palavras monossílabas átonas e monossílabas tônicas:

Ø  Monossílabas átonas – são as monossílabas pronunciadas “fracamente”, isto é com pouca intensidade.

Exemplo: Ela estava na festa de aniversário, mas não a vi.

As monossílabas átonas nunca são acentuadas graficamente.

Ø  Monossílabas tônicas – são aquelas pronunciadas com mais intensidade.

Exemplo: Tu não tens dó de Célia, mas ela não é má pessoa.

As monossílabas tônicas são acentuadas de acordo com a sua terminação.

II. Sílaba tônica: é a sílaba pronunciada com mais intensidade (força).

Exemplos: Pacaembu, decreto, gráfico, volta, voltara, brica, fabrica.

            Observe, pelos exemplos, que nem sempre a sílaba tônica recebe acento gráfico.

 III. Classificação da palavra quanto à posição da sílaba tônica:

Classificação
Posição da sílaba tônica
Exemplos
Oxítona
última
ca, avisar, urubus
Paroxítona
penúltima
cafezinho, transito, repórter
Proparoxítona
antepenúltima
trânsito, xico, tido

IV. Ditongo fechado e ditongo aberto

Ø  Ditongo fechado – é pronunciado com a boca mais fechada; nunca é acentuado graficamente.

Exemplos: cadeira, bois, perdeu.

Ø  Ditongo aberto – é pronunciado com a boca mais aberta; alguns são acentuados, outros não.

Exemplos: caixa, papéis, herói, colmeia, asteroide, Montevidéu.

V. Hiato – encontro de dois sons vocálicos pronunciados em sílabas separadas.

            Exemplos: escoar (es-co-ar), traído (tra-í-do), ruim (Ru-im)

REGRAS GERAIS


1. ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS MONOSSÍLABAS

            Observe atentamente a terminação destacada nas monossílabas tônicas de cada grupo abaixo e a presença (ou ausência) do acento gráfico:

       .  chá, gás, más, dá-lo
  • rês, fé, pés, lês, vê-lo
  • vi, li, bis, lis
  • nós, dó, pós, pô-lo
  • nu, tu, cru, nus
a) Para que uma monossílaba tônica receba acento gráfico, qual deve ser sua vogal final (seguida ou não de s)?

 2. ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS OXÍTONAS

            Nos grupos de oxítonas abaixo, observe a terminação destacada e a presença (ou ausência) do acento gráfico.

       .  igaratá, xarás, vencerás, criticá-los
  • você, Taubaté, vendê-las, buscapé
  • lambaris, sapoti, conheci, sacis
  • bisavô, retrós, expô-las, Chapecó
  • Caruaru, chuchus, urubu, maracatu
  • Armazém, parabéns, Belém, reféns
a) Quais são as terminações que determinam o acento gráfico nas palavras oxítonas?

3. ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS PAROXÍTONAS

            Analise as paroxítonas abaixo, atentando para as terminações em destaque:

       .  biqni, nis, pis
  • nus, rus, cus (nome de uma planta)
  • frágil, invivel, pênsil
  • fen, len, abmen
  • mur, repórter, câncer
  • rax, ônix, nix
  • rum, runs, álbum, álbuns
  • ceps, fórceps
  • órfã, imãs
  • falência, nei, áreas, órfãos
a)      Que terminações devem apresentar as paroxítonas para que recebam acento?

3. ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS PROPAROXÍTONAS

             Considere estas proparoxítonas:

Transatlântico           técnica           mármore          lâmpada           relêssemos

a) Independente da terminação, que proparoxítonas devem ser acentuadas?


SÍNTESE


Utilidade prática das regras de acentuação gráfica

            As regras de acentuação servem, na prática, para orientar o leitor quanto à pronúncia correta das palavras escritas. Tanto a presença do acento gráfico (nas palavras que o exigem) quanto sua ausência (nas palavras que não o admitem) são fundamentais para indicar a pronúncia.

1. MONOSSÍLABAS TÔNICAS – acentuam-se as terminadas em:

  • a(s) – pá, gás.
  • e(s) – lê, pés.
  • o(s) – dó, nós.
2. OXÍTONAS – acentuam-se as terminadas em:

  • a(s) – orixá, renascerás, Itamaracá.
  • e(s) – Xanxerê, tucunaré, através.
  • o(s) carijós, vovô, bongôs.
  • em/ens – porém, parabéns.

3. PAROXÍTONASacentuam-se as terminadas em:

  • i(s), us – táxi, júris, Vênus, lócus.
  • l, n – possível, hífen.
  • r, x – néctar, tórax.
  • um, uns – fórum, álbuns.
  • ps, ã(s) – tríceps, órfã, ímãs.
  • ditongo (seguidos ou não de s)convênio, túneis, tábuas, exigência.

4. PROPAROXÍTONAS – todas são acentuadas:

gico, transgênico, último, pêssego.

REGRAS COMPLEMENTARES


1. ACENTUAÇÃO DOS DITONGOS ABERTOS (ÉI, ÓI, ÉU):

            Os ditongos abertos éi, ói e éu, dependendo da palavra em que ocorrem, podem ou não ser acentuados. Observe, nos três grupos de palavras a seguir, a presença ou ausência do acento gráfico nos ditongos destacados.


Grupo 1
Grupo 2
Grupo 3
méis, réis
a-néis, pás-téis
i-dei-a, pla-tei-a
dói, róis
her-rói, len-çóis
He-roi-co, ji-boi-a.
céu, véus
cha-péus, es-car-céu

            Observe que as palavras do grupo 1 são monossílabas, as do grupo 2 são oxítonas e as do grupo 3 são paroxítonas.

a) Se uma palavra apresenta ditongo aberto éi, ói ou éu (seguido ou não de s):

Ø  quando ela será acentuada graficamente?


Ø  Quando a palavra não será acentuada?

2. ACENTUAÇÃO DO I OU U NA SEGUNDA VOGAL DO HIATO

            Considere as palavras dos dois grupos abaixo, atentando para a divisão silábica e para os hiatos em destaque:

Grupo 1
Grupo 2
distraída – dis-tra-í-da
conteúdo – com-te-ú-do
Tucuruí – Tu-cu-ru-í
Tambaú – Tam-ba--ú
faísca – fa-ís-ca
Balaústre – Ba-la-ús-tre
país – pa-ís
baús- ba-ús
ainda – a-in-da
transeunte – tran-se-un-te
atrair – a-tra-ir
Raul – Ra-ul
ladainha – La-da-i-nha
graunha (semente de uva) – gra-u-nha

Observe, a seguir, as características das palavras do grupo 1 e do grupo 2:

Ø  No grupo 1, a segunda vogal do hiato é o i; no grupo 2 a segunda vogal do hiato é o u.

Ø  Nos dois grupos, essas duas vogais estão acentuadas nas palavras em que aparecem sozinhas ou formando sílabas coma letra s.

Ø  No grupo 1, o i não recebe acento nas palavras em que forma sílaba com letra diferente de s.       (a-in-da, a-tra-ir); no grupo 2, ocorre o mesmo fato com o u (tran-se-um-te, Ra-ul)

Ø  Na última palavra de cada grupo, as vogais i e u estão seguidas de nh e não recebem acento gráfico.

a) Considere essas análises e responda: Nos hiatos, em que condições o i e o u são acentuados?


OBSERVAÇÃO: O i e o u dos hiatos não são acentuados quando aparecem depois de ditongo em palavras paroxítonas; são, porém, acentuados depois de ditongos em oxítonas. Exemplos:

Paroxítonas: fei-u-ra

Oxítona: Pi-au-í


3. ACENTUAÇÃO DOS VERBOS TER E VIR; VERBOS CRER, DAR, LER E VER

            Esses verbos apresentam particularidades quanto à acentuação gráfica.

            Compare estas formas dos verbos ter e vir e seus derivados.


Singular
Plural
(ele) tem
(eles) têm
(ele) vem
(eles) vêm
(ele) contem
(eles) contêm

Agora, compare estas formas dos verbos crer, dar, ler e ver.


Singular
Plural
(ele) crê
(eles) creem
(que ele) dê
(que eles) deem
(ele) lê
(eles) leem
(ele) vê
(eles) veem
(ele) descrê
(eles) descreem

a) Como se faz o plural das formas verbais tem e vem?

b) Como se faz o plural das formas verbais crê, dê, lê e vê?

4. ACENTO DIFERENCIAL

             Existem duas palavras da língua portuguesa que, embora não se enquadrem em nenhuma das setes regras anteriores, recebem acento gráfico. Trata-se do chamado acento diferencial. São elas:

·         pôr (forma verbal)

Exemplo: Eu preciso pôr a carta no correio ainda hoje.

Essa palavra é acentuada para ficar diferente da preposição por.

Exemplo: Os jovens devem lutar por um mundo melhor.


·          pôde (forma do passado do verbo poder)

Exemplo: Por que você não pôde vir à aula ontem?

Essa palavra é acentuada para ficar diferente da forma pode (do presente do indicativo do verbo poder).

Exemplo: Você melhorou da gripe, por isso já pode voltar às aulas.


5. ACENTO DIFERENCIAL FACULTATIVO

             Há dois casos em que o acento diferencial é opcional:

 I. A palavra forma /ô/ (= molde, recipiente) pode ser escrita com acento (fôrma) para ficar diferente de forma /ó/ (= maneira/formato ou verbo formar).

Compare:

Não tire o bolo da forma/fôrma enquanto ele estiver quente.

O canteiro tem a forma de um pássaro.

Meu sobrinho se forma no próximo mês.

II. A primeira pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo dar – (que nós) demos – pode ser grafada também com acento (dêmos), para ficar diferente da 1ª pessoa do plural do pretérito do indicativo.

            Compare:

            É necessário que nós demos/dêmos um voto de confiança a ele.

            No mês passado, nós demos início à reforma da casa.


SÍNTESE


REGRAS COMPLEMENTARES DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA

1.      ACENTUAÇÃO DOS DITONGOS ABERTOS éi, ói, éu.

Esses três ditongos:

·         São acentuados em palavras monossílabas (exemplos: réus, dói) e em oxítonas (exemplos: coronéis, constrói, Ilhéus).

·         Não são acentuados em palavras paroxítonas (exemplos: paranoico, assembleia).


2. I e U NA SEGUNDA VOGAL DO HIATO

·         Na segunda vogal do hiato, o i e o u são acentuados desde que estejam sozinhos (ou + s) na sílaba e não sejam seguidos de nh. Exemplos: distrda, rdo, grdo, baús.

·         O i e o u não são acentuados quando precedidos de ditongo. Exemplo: baiuca.

3. Verbos ter, vir, crer, dar, ler e ver.

 Formas desses verbos que exigem atenção quanto ao acento gráfico.

Ter
Vir
Crer
Dar
Ler
Ver
Ele tem
Ele vem
Ele crê
Que ele
Ele
Ele
Eles têm
Eles vêm
Eles creem
Que eles deem
Eles leem
Eles veem


4. ACENTO DIFERENCIAL – esse acento é:

·       Obrigatório em dois casos:

Ø  Na palavra pôr (verbo), para diferenciar da preposição por (preposição por).

Ø  Na palavra pôde (passado do verbo poder), para diferenciá-la de pode (presente do verbo poder).

·         Facultativo em dois casos:

Ø  Na palavra fôrma/forma, significando “molde ou recipiente”.

Ø  Na palavra demos/demos (1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo dar).

Dados Bibliográficos:

AMARAL, Emília;
PATROCÍNIO, Mauro Ferreira do;
LEITE, Ricardo Silva;
BARBOSA, Severino Antonio Moreira
FTD. 1.ª edição - São Paulo - 2010.
                                                                                                                       Postado em 26/01/2013.

terça-feira, 10 de julho de 2012

VOTO CONSCIENTE NÃO É VOTO PERDIDO

           VOTO CONSCIENTE NÃO É VOTO PERDIDO          


          Caro leitor e eleitor, em 2024 você estará elegendo o próximo prefeito municipal. Vários nomes já estão sendo especulados. Você já pensou nas consequências que seu voto poderá representar para os demais habitantes do seu município? Pois é, se ele for para aquele candidato que tem compromisso com a população, tudo bem. Caso contrário, virá o arrependimento e uma espera de mais quatro anos para tentar corrigir a grande “besteira” que você fez.
          Pois bem, você se diz esperto, inteligente, mas acaba entrando na onda de amigos e julgando os políticos como se todos fossem iguais, pense e reflita sobre o seguinte pensamento de Bertold Brecht: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas”.
          Nas próximas eleições em que haverá vários candidatos disputando o cargo de prefeito, gostaria que você fizesse uma reflexão, perguntando a si mesmo: qual dos pré-candidatos tem compromisso com o povo, e qual tem compromisso apenas consigo mesmo. Posso te dar uma ajuda....
          Quando iniciar oficialmente a campanha eleitoral, comece analisando primeiramente os seus planos de governo. Qual deles apresentará propostas realizáveis para o progresso e melhoria das condições de vida da população? Analise com bastante clareza aquele que realmente representará uma mudança e aquele que representará apenas uma continuidade. Se você acha que em seu município está tudo perfeito, não falta emprego, a educação é de qualidade, a saúde não precisa ser melhorada, as estradas estão bem conservadas, o futuro de seus filhos não será afetado, o município está crescendo e se desenvolvendo mais do que outros da sua região, então vote pela continuidade ou pela volta daqueles que já foram prefeitos. Caso contrário, vote pela mudança. Mas e daí, como saber quem realmente representará a mudança?
          Comece pesquisando quais são os possíveis patrocinadores da campanha de cada candidato? Quais são seus bens atuais e o que ele já possuía antes de ingressar na carreira política. Não basta parecer bonzinho e diferente, é preciso ter vontade política para fazer a transformação de ideias em realizações concretas para a população.
          Para finalizar, peço que você procure saber qual deles terá apoio de deputados influentes para garantir recursos para o município? Qual deles montará seu plano de governo discutindo propostas com os vários setores da sociedade? Pergunte também qual será o projeto mais viável para a valorização do funcionário público, para a melhoria do transporte, da segurança, da saúde, da educação, para a geração de empregos, para a habitação, para a recuperação das estradas, para o esporte, o lazer, a cultura, o turismo, o meio ambiente, para as mulheres e para os nossos jovens.
          Muito bem! Se, depois de tudo isso o candidato que você escolher também não possuir ficha suja e nem usar boatos e mentiras para difamar seus concorrentes, então posso lhe garantir que seu voto será consciente, pois você não é um analfabeto político.
                                                                                                                        Professor João Pereira Leite
A Gramática, a Literatura e o Texto
João Pereira Leite
          Esta reflexão é importantíssima, pois nos ajuda a melhorar a prática de sala de aula. Hoje se fala muito em leitura e produção de textos. Todo professor de Língua Portuguesa defende esta tese, mas na prática, a maioria não realiza.
          Esse tripé, gramática, literatura e texto, são importantes e devem ser transmitidos aos alunos. O que não se deve fazer é aplicar a gramática simplesmente descontextualizada do texto. E quando falo em texto, pode ser uma simples frase desde que contextualizada e que esteja transmitindo uma informação do conhecimento de todos, diferentemente do que ocorria há vinte ou trinta anos atrás. Muitos da minha geração aprenderam a gramática pura, como se todos fôssemos um dia ser professor de Língua Portuguesa. A gramática deve ser ensinada para o conhecimento na hora da escrita, como elementos de coesão de um texto.
          Quanto à literatura, esta deve ser ensinada com foco no período literário, composto por autores e obras, com suas respectivas características e deve haver comparação com os dias atuais, para que o aluno possa perceber as diferenças e até mesmo as semelhanças entre uma obra trovadoresca, da Idade Média, com outras contemporâneas. 
          Já o texto, deve ser um complemento da gramática e da literatura. É óbvio que compete ao professor passar o conteúdo correspondente às características de cada gênero e tipologia textual, para que de posse dessas informações o aluno desenvolva suas competências e habilidades de produção, respeitando a faixa etária e as séries correspondentes. O que não se deve é trabalhar apenas o texto narrativo, o descritivo e dissertativo, como acontece com a grande maioria dos professores. Faz-se necessário mostrar ao aluno quais são os tipos de texto que ele convive em seu meio. Por isso, o professor deve “passar a receita” de como se produz cada tipo de texto com suas principais características.
          È interessante lembrar que antes de ser trabalhada a produção dos diversos tipos de textos, deve-se ler com os alunos cada um deles. Nesse caso, o aluno vai produzir aquilo que já conhece. Algo que já foi detalhado em sala de aula pelo professor.
          Nos dias atuais em que tudo gira em torno da Internet e do Celular, cabe aos educadores e de modo especial, aos professores de Língua Portuguesa, começar a trabalhar mais a leitura dentro da sala de aula. Se o foco continuar sendo apenas a leitura extraclasse, o aluno, principalmente da rede pública que possui pouco acesso a livros, continuará sem essa ferramenta e consequentemente distante da leitura.
          Pode-se afirmar que o professor da rede pública encontra mais dificuldade para realizar esse trabalho devido ao número elevado de alunos por turma, mas isso não pode ser usado como desculpa para não realizar essa atividade com seus alunos.
          Nos cursos de licenciatura das universidades atuais, pouco ou quase nada se aprende do cotidiano de uma sala de aula. Há vários anos, muitos professores vem apenas copiando receitas prontas de outros mais experientes e aplicando em suas aulas, sem obter os resultados esperados. Para mudar essa realidade no ensino da língua, há necessidade da oferta de novos cursos de especialização aos docentes da rede pública para que estes possam sair da mesmice, se atualizar e realizar novas práticas em sala de aula de acordo com a necessidade dos alunos do século XXI.

Obs.: Artigo postado em atividade do curso de Pós-Graduação da UNICAMP/REDEFOR em 20/11/2010.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

CONHEÇA O PROFESSOR JOÃO PEREIRA LEITE

MEMORIAL
João Pereira Leite
            Nascido em um bairro da zona rural, no município de Ibiúna, estado de São Paulo, o professor João Pereira Leite, filho de pais analfabetos, teve seu primeiro contato com um lápis e um caderno aos oito anos, em seu primeiro dia de aula, na Escola de Emergência do Bairro Pereiras.
            Quando completou nove anos já estava matriculado numa escola no centro da cidade, onde concluiu o antigo primário. Esta escola era bem diferente daquela sala multisseriada em que fez a sua primeira série. Na verdade não era bem uma escola o seu primeiro local de contato com as letras. A sala de aula funcionava em um cômodo de uma residência, construída de barro, popularmente conhecida como pau-a-pique, localizada num bairro muito pobre. Não havia energia elétrica e muito menos água encanada. O banheiro ficava do lado de fora em um barranco e não havia fossa, os dejetos eram lançados ao ar livre. Os porcos e galinhas que viviam soltos é que faziam a festa. Não havia merenda escolar. Para se alimentar, na “hora do recreio”, levava arroz, feijão e ovo frito numa lata de leite em pó.
            O que dava ânimo e força para continuar seus estudos é que sempre sua mãe dizia: “um dia meu filho vai ser professor”. E não é que ela tinha razão.
            Dona Eva, que Deus a tenha! Não sabia ler e nem escrever, mas exigia que o filho caçula estudasse, pois os outros quatro filhos mais velhos não tiveram essa oportunidade. Não havia escola próxima na infância deles.
            O tempo passou, e o antigo ginásio estava para ser concluído. Faltavam menos de dois meses para a Dona Eva ver o seu filho receber o "diploma" da 8.ª série. “Meu filho já é quase um professor”, - dizia ela. Mas Deus não permitiu que ela entrasse com seu filho para receber o seu primeiro diploma.
            Seu último filho João foi uma gravidez de risco, pois a Dona Eva já estava com 44 anos quando deu a luz. Esse seu filho caçula era “raspa de tacho”. E desde seu nascimento sua saúde nunca mais foi a mesma. Deu a luz em um parto normal, acompanhada por uma parteira, como era tradição do lugar. Morreu aos 59 anos, no final de outubro do ano de 1981. A formatura da 8.ª série aconteceu em dezembro, mas não teve a mesma emoção que deveria, pois faltava a Dona Eva, a mãe que mesmo analfabeta cobrava as lições de casa e queria ver seu filho professor.
            Nesse tempo, poucos faziam o antigo colegial, pois precisavam trabalhar para ajudar nas despesas da casa.
            No município de Ibiúna, onde residia, havia apenas uma escola com uma classe de primeiro colegial, à noite, onde somente entravam aqueles alunos que passassem por uma prova de vestibulinho. Eram muitos concorrentes para poucas vagas. Os alunos que não conseguiam, teriam que esperar pelo próximo ano.
            Foi nessa época que graças a um professor chamado Jacob Rodrigues de Camargo que lecionava Língua Portuguesa, provavelmente no estilo do Colégio Pedro II, somente com conteúdos gramaticais e quase nada de textos preparou toda a turma da sala da 8.ª série A da E E  Prof. Roque Bastos e garantiu que todos aqueles que precisavam estudar à noite passassem no vestibulinho e garantissem vaga.
            Diferentemente dos anos anteriores, do antigo ginásio, as aulas de Língua Portuguesa não eram mais de gramática, mas somente de Literatura. No primeiro ano, iniciou-se com a origem da Língua Portuguesa, o Trovadorismo e assim sucessivamente. O primeiro ano, apesar de trabalhar na roça o dia todo e frequentar as aulas à noite muito cansado, passou rápido. Apesar de ficar para a semana de recuperação, teve um final feliz. Mas o pior estava por vir. Sem a mãe para apoiar e cobrar nos estudos, a vida escolar ficou em segundo plano. Por três anos consecutivos foram realizadas as matrículas, mas logo nos primeiros meses abandonava à escola. As desculpas eram sempre as mesmas. “- Saio tarde do trabalho”. E com isso o tempo foi passando. Após os três anos de abandonos consecutivos no decorrer do ano letivo, foram mais cinco sem estudar, sem nem sequer realizar a matrícula. Agora o trabalho já não era mais na roça, mas no comércio, numa casa de produtos de limpeza em que, mais tarde, viera a ser conhecido em todo o município como “João da Maguinha”.
            Foi nesse período que apareceu a oportunidade de atuar como professor de catequese na igreja matriz da cidade. Ali estava o início de tudo. As aulas fizeram lembrar-se de sua mãe e do sonho de um dia vir a ser professor. E como era bom ouvir pronunciar a palavra “professor” da boca de seus alunos de catequese.
            Agora já com seus vinte e poucos anos, só restava frequentar o curso Supletivo, atual EJA que trazia uma vantagem, poderia concluir o 2.º e o 3.º colegial em apenas um ano. E foi o que aconteceu.
            Mesmo após vários anos sem estudar, a escola não havia mudado em nada. As aulas continuavam com questionários de perguntas e respostas. Nas aulas de Língua Portuguesa, ensinava-se gramática tradicional, a literatura era dividida em períodos e a leitura obrigatória eram livros clássicos com resumo para nota. A vontade de terminar o antigo colegial para cursar uma faculdade falou mais alta, e mesmo trabalhando o dia todo sempre estava com pique para frequentar as aulas à noite. E o tempo novamente passou rápido. A faculdade não era mais um sonho. Após um vestibular concorrido e a publicação do sobrenome errado no jornal para dar mais emoção, a matrícula no curso de Letras na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba, atual UNISO, estava efetuada.
            Foi a partir daí que, mesmo sem frequentar nenhum dia de aula na faculdade, o novo universitário era convidado a entrar na sala de aula, devido à falta de docentes habilitados e cometer os primeiros erros como professor. Teve que aprender, ou melhor, sem formação nenhuma, teve que passar conteúdos para alunos de 5.ª a 8.ª séries. Isso aconteceu durante os três anos de faculdade. Com a falta de tempo, preparava as aulas nos finais de semana e até mesmo no ônibus, pois de sua cidade até a faculdade, em Sorocaba demorava uma hora e vinte minutos, aproximadamente.
            Após a conclusão do curso, em seu primeiro ano já formado em Letras, foi convidado para atuar como Professor Coordenador da Área de Língua Portuguesa num projeto inovador da Secretaria de Estado da Educação, nas chamadas "Escola Padrão", no início da década de 1990. Foi nesse período que em contato com professores mais experientes pode aperfeiçoar suas práticas e mesclar a gramática tradicional com pouquíssimas aulas de leitura e produção de texto. Ficou afastado totalmente de sala de aula por aproximadamente oito anos exercendo a função de Professor Coordenador Pedagógico no Período Noturno em uma outra escola Estadual, onde somente nos últimos três anos voltou a atuar em sala de aula como professor. Trabalhou concomitantemente por cinco anos, entre 1997 e 2001, no CK, um colégio particular que tinha o apoio didático do Sistema Didático Etapa, deixando este emprego para exercer o cargo de Diretor de Escola, também na rede pública, em São Roque.
            Além de professor, é diretor de escola na rede municipal de ensino de São Roque. Já atuou como Supervisor de Ensino designado e também já foi Secretário Municipal de Educação no Município em que reside, Ibiúna.
             Possui formação em Pedagogia pela faculdade de Ciências e Letras de Registro e em Letras pela Universidade de Sorocaba. Cursou Pós-Graduação em Gestão Escolar pela Universidade Anhembi Morumbi, é Pós-Graduado em Língua Portuguesa pela UNICAMP e em Direito Educacional. 

                                                                              Observação: Artigo postado em atividade do curso de Pós-Graduação da UNICAMP/REDEFOR e atualizado em outubro de 2023.

domingo, 27 de maio de 2012

Secretário Municipal de Educação vai a Brasília

           Após a reestruturação da Secretaria Municipal de Educação com a criação de cargos para a formação de uma equipe pedagógica com Diretores de Divisão de Educação Especial, Educação Infantil, Ensino Fundamental, Projetos Educacionais, Administração de Creches e Professores Coordenadores para toda a Rede Municipal de Ensino e, em busca de sua autonomia para se tornar uma Rede de Ensino autônoma, o atual Secretário municipal de Educação de Ibiúna João Pereira Leite esteve nos dias 21 e 22 de outubro de 2009 com o Ministro de Educação Fernando Haddad, em Brasília, em busca de recursos para a melhoria da infra-estrutura e formação continuada para os profissionais da Educação Municipal.
          O encontro com o Ministro Educação Fernando Haddad e sua equipe técnica foi programado e agendado pela representante do MEC no Estado de São Paulo, a professora e ex-deputada federal Iara Bernardi (PT) para o dia 21/10/2009, às 14 horas. Nesse encontro que terminou por volta das 19 horas, o Secretário Municipal de Educação João Pereira Leite teve a oportunidade de se reunir individualmente com cada setor do Ministério da Educação para discutir e analisar todos os projetos que haviam sido protocolados e solicitados antecipadamente de acordo com o PAR (Plano de Ações Articuladas) concluído pela equipe da Secretaria, no último mês de agosto daquele ano.
          Dentre os projetos protocolados, cinco deles tiveram atenção especial da equipe do Ministério da Educação: O Pro-Info, programa tecnológico que distribui computadores. Nesse programa estão previstos a entrega de mais de 500 computadores para toda a rede municipal até o final do primeiro semestre de 2010, além de um Núcleo de Tecnologia Educacional-NTE para a formação de profissionais da Educação que atuarão em sala de aula. Para ser atendido, foram enviados 03 fotos de cada escola do município, sendo uma da fachada, uma das instalações e outra do teto. Para maior segurança, todas as escolas do município estão recebendo grades nas portas e nas janelas e está sendo firmado um seguro que será custeado pela prefeitura; Pro-Infância, que prevê a construção de 05 escolas na zona rural e 05 na zona urbana, no valor de 1,2 milhão cada. A prefeitura municipal entrará apenas com o terreno de aproximadamente dois mil metros quadrados de área para cada construção. Após a finalização da primeira obra e sua prestação de contas, o município já poderá pleitear a segunda construção; Caminho da Escola, esse programa financia ônibus escolar para o município e, devido à extensão territorial do município, há grande probabilidade de que seja encaminhado um ônibus de 42 lugares gratuito, segundo reunião junto ao gabinete do Senador Aluisio Mercadante (PT); Reforma e Ampliação das Escolas que prevê a construção de salas para biblioteca, laboratórios de informática e de Ciências; Educação Inclusiva-AEE, neste programa, Ibiúna já foi contemplada com 09 salas de Recursos Multifuncionais nas escolas centrais com equipamentos e material didático pedagógico específico para alunos da educação especial, como teclados em braile para deficientes visuais, dominó de animais em língua de sinais para deficientes auditivos e outros acessórios que beneficiarão os alunos.
          Houve também a assinatura do convênio para a formação gratuita de professores por meio da Plataforma Freire. Esse programa que tem inscrição Online, foi construído pelo MEC para ser uma ferramenta de fácil acesso do professor. Nele, os professores vão encontrar uma série de dados, entre eles, as tabelas com a previsão de oferta de cursos, as instituições e as modalidades de cursos para o período 2009 a 2011.
          Segundo o secretário João Pereira Leite, após três meses de trabalho, os compromissos assumidos por ele estão começando a ser concretizados, pois hoje professores efetivos da Rede Municipal ocupam cargos de Assessorias na Secretaria Municipal, de Diretores de Divisão de Ensino, de Diretor e Vice-diretor de Escolas e também de Coordenadores Pedagógicos. E ressalta: “A moralidade, a legalidade, a transparência e a ética são marcas da atual Secretaria Municipal de Educação”.

Obs.: Artigo publicado no jornal Voz de Ibiúna de 28/10/2009.


 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Milagre, Fé e Tradição: Viva São Sebastião!
Por João Pereira Leite
            Há 93 e três anos é a mesma coisa. O povo, movido pela fé no Santo Protetor, São Sebastião, caminha até o sertão de Ibiúna, no Bairro do Pocinho, para demonstrar o seu amor ao mártir que sempre intercede junto do Pai para que os pedidos fervorosos do povo que a ti recorre, sejam atendidos. Parece um pouco longe, pois são mais de trinta quilômetros, a contar do centro da cidade até a gruta que fica protegida por enormes pedras, e que por si só transforma aquele lugar num ambiente de oração.
Há aqueles curiosos que sempre perguntam: o que leva tanta gente a esse lugar todos os anos? Como explicar esse fenômeno? Pois é, isso não se explica, isso se vivencia. Para os olhos humanos se trata apenas de um caminhar, uma aventura diferente, um encontro de amigos, mas para os olhos da fé, o sentido é outro. É a busca de algo diferente, um recarregar de energia espiritual que só quem participa consegue sentir e pode explicar.
E é isso que faz com que o povo mantenha essa tradição por muitos e muitos anos. É verdade também que alguns apenas entram no ritmo da festa por influência de amigos e acabam contribuindo para o aumento desse número de pessoas.
A romaria de São Sebastião, como é popularmente conhecida, colabora para o resgate de algo muito importante para toda a família católica, que ultimamente vem sendo deixado de lado nas chamadas “famílias modernas”: a busca do credo religioso que parece estar ficando em segundo plano.
Percebe-se, portanto que em vez das tradicionais orações ao sentar à mesa na hora das refeições e, à noite antes de dormir. Do compromisso de acompanhar os filhos nas missa aos domingos e, de encaminhá-los para a preparação nas aulas de catequese para os sacramentos da primeira eucaristia, da confissão e do crisma, seus responsáveis estão incentivado-os apenas ao consumismo e às vaidades da vida moderna como tevês por assinatura e a participarem das redes sociais pela Internet.
Enfim, fala-se muito em famílias desestruturadas, crianças praticando bullying, adolescentes agressivos e com mau comportamento na escola, jovens que se perdem nas drogas e adultos que partem para o mundo do crime. Tudo isso ocorre porque está faltando Deus nos lares dessas pessoas. O único meio para acabar com esse “mal do século XXI” deve ser o resgate das práticas religiosas. E para os católicos um dos caminhos é conhecer a história dos santos que deram testemunhos de vida durante suas passagens pelo mundo dos homens para poder venerá-los e tê-los como seus intercessores junto a Deus, por meio de suas orações, como é o caso do glorioso São Sebastião.
                                                                                                                    Postado em 24/05/2012.