terça-feira, 19 de julho de 2016

Quem é mais importante: o prefeito ou o vereador?

            Na visão geral do povo, por uma questão sociocultural, valoriza-se mais a função do prefeito. Para a grande maioria, o prefeito é aquele que toma sozinho as decisões que nortearão o rumo de uma boa ou má administração, e os vereadores são meros coadjuvantes. Mas será que é isso mesmo? Para esclarecer melhor essa questão, primeiramente é preciso definir qual é a função de cada um.
Segundo Victor Nunes Leal, em seu livro “Coronelismo, Enxada e Voto" o cargo de prefeito foi criado em 11 de abril de 1835, pela assembleia provincial paulista, em reação aos amplos poderes conferidos pelo Código de Processo Criminal de 1832 às câmaras municipais. Neste caso, o prefeito é o chefe do executivo municipal e deve governar o município de forma conjunta com os vereadores. É também o representante do povo que busca a melhoria do município, oferecendo boa qualidade de vida aos habitantes por meio de reivindicações de convénios junto aos governos federal e estadual. É aquele que apresenta projetos de Leis à Câmara Municipal em busca de melhoria para toda a população nas áreas de saúde, educação, transporte, lazer entre outras atividades relacionadas ao cargo, portanto não governa sozinho. Depende da aprovação dos vereadores para  gastar de forma correta cada centavo público.
O vereador, no Brasil, compõe um órgão legislativo da administração municipal que representa os cidadãos residentes em um determinado município da federação. Este, é eleito juntamente com o prefeito e tem a função de discutir as questões locais e fiscalizar o ato do executivo com relação à administração e aos gastos do orçamento previsto na L.D.O. (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Ele deve trabalhar em função da melhoria da qualidade de vida da população, elaborar Leis, receber o povo e atender suas reivindicações, e também desempenhar a função de mediador entre os habitantes e o prefeito.
A partir da definição de cada cargo, percebe-se que ambos têm a mesma importância, porém um vereador nunca poderá realizar uma obra, mas sim apenas solicitá-la ao prefeito ou inclui-la no orçamento. Nunca poderá dar emprego a alguém, pois não compete a ele ser o patrão de um funcionário público.
Já o prefeito, quando eleito, não recebe um termo de posse do município para fazer dele o que bem quer, sem dar nenhuma satisfação a ninguém. Pelo contrário, ele será responsabilizado por qualquer ato que contenha sua assinatura e caso não esteja de acordo com a Lei, responderá por isso, podendo ser condenado por improbidade administrativa. O mesmo poderá ocorrer com o vereador por decoro parlamentar. E de acordo com a Lei da Ficha Limpa, deverá ser banido para sempre do meio político.
Infelizmente, como a grande maioria dos vereadores das Câmaras Municipais são coniventes com os atos do prefeito e entre si próprio, nada disso acontece. O que se vê é apenas arquivamento de denúncias, tanto contra o executivo como contra membros do próprio legislativo. Um protege o outro em troca de favores e da permanência de todos no cargo. Prevalece a “Lei do que é melhor para mim, é melhor para todos”, e o povo continua com a cara e o nariz de palhaço.
Portanto, está na hora de pessoas de bem, honestas e com passado limpo disputarem as próximas eleições municipais. Se isso não acontecer, a situação poderá ficar pior nos próximos quatro anos.

Professor João Pereira Leite

domingo, 29 de março de 2015

Crônica

A dura realidade de um hospital municipal


      Dias atrás estava jogando futebol na quadra da escola onde sou professor e acabei me machucando. Fui socorrido no Hospital Municipal.
            Ao chegar lá, minha preocupação era com a falta de médicos, devido ao atraso de pagamento destes profissionais, e com a fila na recepção, mas acabei dando sorte, pois quando cheguei, só havia umas duzentas pessoas na minha frente. Digo só, porque às vezes existe muito mais. Depois de duas horas de espera fui chamado. Havia um único médico, um Ginecologista, para atender toda aquela gente, pois os demais estavam em greve devido ao atraso de salários.
          A enfermeira, uma senhora simpática, pediu-me que entrasse e aguardasse numa cadeira que fica no corredor principal.
            Minutos depois aparece outra e me pergunta:
            - Você é paciente?   – pensei em responder-lhe que era impaciente, mas mudei de ideia.
            - Sim, – respondi olhando fixo pra ela.
            - Então, aguarde mais um minutinho que o médico já vai atender o senhor.
            Alguns minutos depois, volta a primeira enfermeira e me pede para entrar.
            - Vamos medir a sua pressão. Estique o braço, por favor...
            - Mas minha senhora, eu não estou doente, eu apenas caí e bati meu...
         - Fique quieto. São normas do hospital. Todos os pacientes precisam medir a pressão para depois serem encaminhados ao médico.
           Depois de ter medido a minha pressão, me levou à outra sala ao lado para que o médico me examinasse.
            - Qual é o seu problema? – perguntou-me o médico.
         Expliquei-lhe nos mínimos detalhes o que havia acontecido comigo e ele perguntou o que eu queria tomar para resolver o problema. Respondi-lhe na lata:
            - O médico é o senhor. Se eu soubesse, não estaria aqui.
            Imediatamente ele chamou a enfermeira e lhe disse:
            - Este senhor está com o braço e a cabeça machucados. Faça aquilo que você está acostumado a fazer...  Ah, dê-lhe uma daquelas para passar a dor.
            Entrei na sala da enfermaria com um pé atrás. Lá dentro, não deu outra.
            - Abaixe as calças, por favor...
            - Mas minha senhora, o meu problema é na cabeça e no braço...
            - Eu sei. Vou aplicar esta injeção pra passar a dor...
            - Mas minha senhora...
            - Não vai doer nada. Não me diga que está com medo?
            - Não, é que eu não gosto de tomar isso nas nádegas...
            - Por isso não, eu posso aplicar no braço.
Pensei. Se ela vier pra cima de mim, eu estico as canelas e...
          Enquanto isso, ela vira as costas e começa a preparar a seringa. Eu, tremendo como uma vara verde e, morrendo de medo evidentemente, pensava numa maneira de evitar tudo aquilo.
            - Minha senhora, não dá pra fazer o curativo no meu braço primeiro?
            - Não. E aí, já decidiu? Vai tomar em cima ou em baixo?
           - Ela falou isso e veio pra cima de mim. Eu me afastei e fiquei atrás da cadeira como um gato quando foge de um cachorro...
            - Minha senhora, eu vou impedir essa injeção – respondi agarrando em seu pulso.
           - Ela fez pressão vindo pra cima do meu braço machucado. Permaneci segurando seu pulso.              Nesse momento ela escorrega e solta a seringa. Foi aí que a situação se inverteu: eu estava por cima.
            - Agora sou eu quem dá as ordens – falei, com ar de felicidade, apesar da dor.
            - Abaixe as calças.
            - Mas não há nada de errado comigo. Eu não estou doente...
            - A mim a senhora não engana. Agora é minha vez de mostrar que não vai doer nada.
            - Não, não, não. Por favor – implorou – morro de medo da injeção.
Era o que eu suspeitava. É fácil ser corajoso quando a gente está do outro lado. Joguei a seringa para o lado e disse-lhe, cheio de desprezo:
          - A senhora não passa mesmo de uma medrosa como muitos. Agora enfaixe meu braço, por favor, que eu preciso ir pra casa.
        - Não posso. Esse material está em falta no hospital. O senhor precisa procurar uma farmácia. Lá eles farão isso para o senhor.
            Pedi desculpas pelo que havia acontecido e deixei o hospital.
                        (publicado no Jornal A Vanguarda de Ibiúna, em outubro de 1995)


domingo, 15 de março de 2015



TUDO QUE VICIA COMEÇA COM C

LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO

"Tudo que vicia começa com C. Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios. Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C! De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê. Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê. Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também - adivinha - começa com a letra c. Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum. Impressionante, hein? E o computador e o chocolate? Estes dispensam comentários. Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana. Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada "créeeeeeu". Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade... cinco. Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o "ato sexual", e este é denominado coito. Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura..."
                                                                                                                               Postado em 15/03/2015.

domingo, 4 de janeiro de 2015

 METODOLOGIA: A FALTA QUE FAZ FALTA
Hoje o que parece estar em alta é o currículo e o conteúdo. Que pena que ainda não está chegando até o aluno como deveria.

A Presidente Dilma Rousseff anunciou em seu discurso de posse o novo lema de seu governo - “BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA”. Pode ser que para muitos isso pareça ser novidade, mas não é. Sabe por quê?  Em 3 de julho de 2014, ela já havia sancionado o Plano Nacional de Educação, que deu o pontapé inicial para a construção da chamada Base Nacional Comum da Educação Básica, que prevê o que os estudantes brasileiros devem aprender a cada etapa escolar.
A discussão desse tema sobre a Base Nacional Comum da Educação Básica deve acontecer a partir deste ano de 2015 nos estados, no distrito federal e nos municípios do país para que se possa chegar a um currículo que atenda às necessidades básicas de todas as crianças, adolescentes e jovens brasileiros.
Vale lembrar que isto também não é novidade, já que está previsto desde a formulação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, em seu Artigo 26, e prevê que os currículos do Ensino Fundamental e Médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura e da clientela.
Como se vê, essa Base Nacional Comum deveria ser seguida em todo o país, pois é com fundamento nela que se aplica a Prova Brasil e o SAEB, avaliações estas que definem o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de cada escola, município, distrito federal, estado e do Brasil.
Para garantir esse currículo, o Governo Federal, por meio do Programa Nacional de Livro Didático (PNLD) e do Programa Nacional do Livro Didático do Ensino Médio (PNLEM) distribui gratuitamente livros didáticos para todos os alunos das escolas públicas do país e, democraticamente, permite que cada educador dentro de sua rede pública de ensino faça a escolha do livro didático que melhor atenda a realidade de sua região e da clientela de sua escola.
Há também o Programa Nacional de Biblioteca na Escola (PNBE) que tem como objetivo promover o acesso à cultura e o incentivo à leitura nos alunos e professores, por meio da distribuição de acervos de obras de literatura, de pesquisa e de referência.
Para que este lema “BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA” possa acontecer, é preciso investir na valorização e formação continuada dos educadores que estão na escola, trabalhando em seu dia a dia com crianças, adolescentes e jovens.

Portanto, não basta garantir aos alunos acesso aos livros didáticos de todas as disciplinas e exigir do professor um planejamento anual, bimestral, semanal e diário do conteúdo a ser desenvolvido. Para que haja aprendizagem efetiva do aluno, o mestre da sala de aula deve ter em mente que o centro do currículo é a METODOLOGIA que será aplicada por ele.
Professor João Pereira Leite 
Postado em 04/01/2015.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

PAR - Plano de Ações Articuladas

PAR - Plano de Ações Articuladas

O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), apresentado pelo Ministério da Educação em abril de 2007, colocou à disposição dos estados, dos municípios e do Distrito Federal, instrumentos eficazes de avaliação e implementação de políticas de melhoria da qualidade da educação, sobretudo da educação básica pública. Sendo um compromisso fundado em 28 diretrizes e consubstanciado em um plano de metas concretas e efetivas, compartilha competências políticas, técnicas e financeiras para a execução de programas de manutenção e desenvolvimento da educação básica.
A partir da adesão ao Plano de Metas, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal passaram à elaboração de seus respectivos Planos de Ações Articuladas (PAR). A partir de 2011, os entes federados puderam fazer um novo diagnóstico da situação educacional local e elaborar o planejamento para uma nova etapa (2011 a 2014), com base no IDEB dos últimos anos (2005, 2007 e 2009).
A dinâmica do PAR tem três etapas: o diagnóstico da realidade da educação e a elaboração do plano são as primeiras etapas e estão na esfera do município/estado, cabendo às Secretarias de Educação. A terceira etapa é a análise técnica, feita pela Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação e pelo FNDE. Depois da análise técnica, o município/estado assina um termo de cooperação com o MEC, do qual constam os programas aprovados e classificados segundo a prioridade local. O termo de cooperação detalha a participação do MEC – que pode ser com assistência técnica por um período ou pelos quatro anos do PAR e assistência financeira. No caso da transferência de recursos, o município/estado precisa assinar um convênio, que é analisado para aprovação a cada ano.
Portanto, não existe mais o “jeitinho político” em que um deputado ou um vereador que se diz influente ou é do mesmo partido político de quem esta no governo federal se vangloriar afirmando que conseguiu a reforma ou construção de uma escola, como no caso de construções de escolas de Educação Infantil do Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (Proinfância), por exemplo.
Hoje, a responsabilidade recai única e exclusivamente ao chefe do executivo na hora de escolher quem vai ocupar o cargo de Secretário de Educação, pois é este que, em conjunto com sua equipe técnico-pedagógica deverá diariamente alimentar o sistema do MEC, rever metas e, de acordo com a demanda de uma determinada comunidade, estabelecer as prioridades. Como o próprio nome já diz, é preciso um Plano de Ações Articuladas, bem elaborado pela Secretaria de Educação com conhecimento da realidade e não por vontade deste ou daquele político como acontecia até pouco tempo.

João Pereira Leite, Diretor de Escola na Rede Municipal de Ensino de São Roque e Professor de Educação Básica II, na Rede Estadual de Ensino. 
                                                                                                                             Postado em (04/07/2014).

domingo, 14 de abril de 2013

POR QUE AS PESSOAS GRITAM?

                      
                    Quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito.
                    Não devemos dizer palavras que os distanciem mais ainda.

       Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
      - Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
      - Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
      - Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? – Questionou novamente o pensador.
      - Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.
      E o mestre volta a perguntar:
      - Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
      Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
      - Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecida? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.
      Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente.
      E por quê?
      Porque seus corações estão muito perto. A distância entre eles é pequena.
      Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.
      E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem.
      É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
      Por fim, o pensador concluiu dizendo:
      - Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.
                                                                    Jornal Bem Estar qualidade de vida, Ano II, Nº 15. Março de 2013, Página 02.                                                                                                                                                                                                       Postado em 14/04/2013.

sábado, 26 de janeiro de 2013

REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Observação: Sempre procurei em livros de gramática e livros didáticos autores que trouxessem de forma clara e objetiva conceitos e exercícios sobre as regras de acentuação gráfica. Fiquei muito feliz quando encontrei essa preciosidade no volume 1, da coleção ‘Novas Palavras” dos autores: Emília Amaral, Mauro Ferreira do Patrocínio, Ricardo Silva Leite e Severino Antônio Moreira Barbosa, da Editora FTD. Portanto, como não sou egoísta,  gostaria de compartilhar com todos os interessados em conhecer melhor as regras de acentuação gráfica. Vamos nessa???

Grande parte das regras de acentuação gráfica leva em conta a posição que a sílaba tônica ocupa na  palavra. Outras levam em conta a existência de encontros vocálicos na palavra.
          As regras que orientam a acentuação gráfica das palavras no Brasil foram estabelecidas em 1943 e passaram por algumas pequenas alterações em 1971. Depois, em 1990, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado pelos países que têm o Português como idioma oficial, introduziu mais algumas modificações, fixando, assim, as regras atualmente em vigor:

 Conceitos preliminares

 A correta aplicação das regras de acentuação gráfica depende inicialmente de conceitos elementares. Vamos relembrá-los:

 I. Palavras monossílabas átonas e monossílabas tônicas:

Ø  Monossílabas átonas – são as monossílabas pronunciadas “fracamente”, isto é com pouca intensidade.

Exemplo: Ela estava na festa de aniversário, mas não a vi.

As monossílabas átonas nunca são acentuadas graficamente.

Ø  Monossílabas tônicas – são aquelas pronunciadas com mais intensidade.

Exemplo: Tu não tens dó de Célia, mas ela não é má pessoa.

As monossílabas tônicas são acentuadas de acordo com a sua terminação.

II. Sílaba tônica: é a sílaba pronunciada com mais intensidade (força).

Exemplos: Pacaembu, decreto, gráfico, volta, voltara, brica, fabrica.

            Observe, pelos exemplos, que nem sempre a sílaba tônica recebe acento gráfico.

 III. Classificação da palavra quanto à posição da sílaba tônica:

Classificação
Posição da sílaba tônica
Exemplos
Oxítona
última
ca, avisar, urubus
Paroxítona
penúltima
cafezinho, transito, repórter
Proparoxítona
antepenúltima
trânsito, xico, tido

IV. Ditongo fechado e ditongo aberto

Ø  Ditongo fechado – é pronunciado com a boca mais fechada; nunca é acentuado graficamente.

Exemplos: cadeira, bois, perdeu.

Ø  Ditongo aberto – é pronunciado com a boca mais aberta; alguns são acentuados, outros não.

Exemplos: caixa, papéis, herói, colmeia, asteroide, Montevidéu.

V. Hiato – encontro de dois sons vocálicos pronunciados em sílabas separadas.

            Exemplos: escoar (es-co-ar), traído (tra-í-do), ruim (Ru-im)

REGRAS GERAIS


1. ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS MONOSSÍLABAS

            Observe atentamente a terminação destacada nas monossílabas tônicas de cada grupo abaixo e a presença (ou ausência) do acento gráfico:

       .  chá, gás, más, dá-lo
  • rês, fé, pés, lês, vê-lo
  • vi, li, bis, lis
  • nós, dó, pós, pô-lo
  • nu, tu, cru, nus
a) Para que uma monossílaba tônica receba acento gráfico, qual deve ser sua vogal final (seguida ou não de s)?

 2. ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS OXÍTONAS

            Nos grupos de oxítonas abaixo, observe a terminação destacada e a presença (ou ausência) do acento gráfico.

       .  igaratá, xarás, vencerás, criticá-los
  • você, Taubaté, vendê-las, buscapé
  • lambaris, sapoti, conheci, sacis
  • bisavô, retrós, expô-las, Chapecó
  • Caruaru, chuchus, urubu, maracatu
  • Armazém, parabéns, Belém, reféns
a) Quais são as terminações que determinam o acento gráfico nas palavras oxítonas?

3. ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS PAROXÍTONAS

            Analise as paroxítonas abaixo, atentando para as terminações em destaque:

       .  biqni, nis, pis
  • nus, rus, cus (nome de uma planta)
  • frágil, invivel, pênsil
  • fen, len, abmen
  • mur, repórter, câncer
  • rax, ônix, nix
  • rum, runs, álbum, álbuns
  • ceps, fórceps
  • órfã, imãs
  • falência, nei, áreas, órfãos
a)      Que terminações devem apresentar as paroxítonas para que recebam acento?

3. ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS PROPAROXÍTONAS

             Considere estas proparoxítonas:

Transatlântico           técnica           mármore          lâmpada           relêssemos

a) Independente da terminação, que proparoxítonas devem ser acentuadas?


SÍNTESE


Utilidade prática das regras de acentuação gráfica

            As regras de acentuação servem, na prática, para orientar o leitor quanto à pronúncia correta das palavras escritas. Tanto a presença do acento gráfico (nas palavras que o exigem) quanto sua ausência (nas palavras que não o admitem) são fundamentais para indicar a pronúncia.

1. MONOSSÍLABAS TÔNICAS – acentuam-se as terminadas em:

  • a(s) – pá, gás.
  • e(s) – lê, pés.
  • o(s) – dó, nós.
2. OXÍTONAS – acentuam-se as terminadas em:

  • a(s) – orixá, renascerás, Itamaracá.
  • e(s) – Xanxerê, tucunaré, através.
  • o(s) carijós, vovô, bongôs.
  • em/ens – porém, parabéns.

3. PAROXÍTONASacentuam-se as terminadas em:

  • i(s), us – táxi, júris, Vênus, lócus.
  • l, n – possível, hífen.
  • r, x – néctar, tórax.
  • um, uns – fórum, álbuns.
  • ps, ã(s) – tríceps, órfã, ímãs.
  • ditongo (seguidos ou não de s)convênio, túneis, tábuas, exigência.

4. PROPAROXÍTONAS – todas são acentuadas:

gico, transgênico, último, pêssego.

REGRAS COMPLEMENTARES


1. ACENTUAÇÃO DOS DITONGOS ABERTOS (ÉI, ÓI, ÉU):

            Os ditongos abertos éi, ói e éu, dependendo da palavra em que ocorrem, podem ou não ser acentuados. Observe, nos três grupos de palavras a seguir, a presença ou ausência do acento gráfico nos ditongos destacados.


Grupo 1
Grupo 2
Grupo 3
méis, réis
a-néis, pás-téis
i-dei-a, pla-tei-a
dói, róis
her-rói, len-çóis
He-roi-co, ji-boi-a.
céu, véus
cha-péus, es-car-céu

            Observe que as palavras do grupo 1 são monossílabas, as do grupo 2 são oxítonas e as do grupo 3 são paroxítonas.

a) Se uma palavra apresenta ditongo aberto éi, ói ou éu (seguido ou não de s):

Ø  quando ela será acentuada graficamente?


Ø  Quando a palavra não será acentuada?

2. ACENTUAÇÃO DO I OU U NA SEGUNDA VOGAL DO HIATO

            Considere as palavras dos dois grupos abaixo, atentando para a divisão silábica e para os hiatos em destaque:

Grupo 1
Grupo 2
distraída – dis-tra-í-da
conteúdo – com-te-ú-do
Tucuruí – Tu-cu-ru-í
Tambaú – Tam-ba--ú
faísca – fa-ís-ca
Balaústre – Ba-la-ús-tre
país – pa-ís
baús- ba-ús
ainda – a-in-da
transeunte – tran-se-un-te
atrair – a-tra-ir
Raul – Ra-ul
ladainha – La-da-i-nha
graunha (semente de uva) – gra-u-nha

Observe, a seguir, as características das palavras do grupo 1 e do grupo 2:

Ø  No grupo 1, a segunda vogal do hiato é o i; no grupo 2 a segunda vogal do hiato é o u.

Ø  Nos dois grupos, essas duas vogais estão acentuadas nas palavras em que aparecem sozinhas ou formando sílabas coma letra s.

Ø  No grupo 1, o i não recebe acento nas palavras em que forma sílaba com letra diferente de s.       (a-in-da, a-tra-ir); no grupo 2, ocorre o mesmo fato com o u (tran-se-um-te, Ra-ul)

Ø  Na última palavra de cada grupo, as vogais i e u estão seguidas de nh e não recebem acento gráfico.

a) Considere essas análises e responda: Nos hiatos, em que condições o i e o u são acentuados?


OBSERVAÇÃO: O i e o u dos hiatos não são acentuados quando aparecem depois de ditongo em palavras paroxítonas; são, porém, acentuados depois de ditongos em oxítonas. Exemplos:

Paroxítonas: fei-u-ra

Oxítona: Pi-au-í


3. ACENTUAÇÃO DOS VERBOS TER E VIR; VERBOS CRER, DAR, LER E VER

            Esses verbos apresentam particularidades quanto à acentuação gráfica.

            Compare estas formas dos verbos ter e vir e seus derivados.


Singular
Plural
(ele) tem
(eles) têm
(ele) vem
(eles) vêm
(ele) contem
(eles) contêm

Agora, compare estas formas dos verbos crer, dar, ler e ver.


Singular
Plural
(ele) crê
(eles) creem
(que ele) dê
(que eles) deem
(ele) lê
(eles) leem
(ele) vê
(eles) veem
(ele) descrê
(eles) descreem

a) Como se faz o plural das formas verbais tem e vem?

b) Como se faz o plural das formas verbais crê, dê, lê e vê?

4. ACENTO DIFERENCIAL

             Existem duas palavras da língua portuguesa que, embora não se enquadrem em nenhuma das setes regras anteriores, recebem acento gráfico. Trata-se do chamado acento diferencial. São elas:

·         pôr (forma verbal)

Exemplo: Eu preciso pôr a carta no correio ainda hoje.

Essa palavra é acentuada para ficar diferente da preposição por.

Exemplo: Os jovens devem lutar por um mundo melhor.


·          pôde (forma do passado do verbo poder)

Exemplo: Por que você não pôde vir à aula ontem?

Essa palavra é acentuada para ficar diferente da forma pode (do presente do indicativo do verbo poder).

Exemplo: Você melhorou da gripe, por isso já pode voltar às aulas.


5. ACENTO DIFERENCIAL FACULTATIVO

             Há dois casos em que o acento diferencial é opcional:

 I. A palavra forma /ô/ (= molde, recipiente) pode ser escrita com acento (fôrma) para ficar diferente de forma /ó/ (= maneira/formato ou verbo formar).

Compare:

Não tire o bolo da forma/fôrma enquanto ele estiver quente.

O canteiro tem a forma de um pássaro.

Meu sobrinho se forma no próximo mês.

II. A primeira pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo dar – (que nós) demos – pode ser grafada também com acento (dêmos), para ficar diferente da 1ª pessoa do plural do pretérito do indicativo.

            Compare:

            É necessário que nós demos/dêmos um voto de confiança a ele.

            No mês passado, nós demos início à reforma da casa.


SÍNTESE


REGRAS COMPLEMENTARES DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA

1.      ACENTUAÇÃO DOS DITONGOS ABERTOS éi, ói, éu.

Esses três ditongos:

·         São acentuados em palavras monossílabas (exemplos: réus, dói) e em oxítonas (exemplos: coronéis, constrói, Ilhéus).

·         Não são acentuados em palavras paroxítonas (exemplos: paranoico, assembleia).


2. I e U NA SEGUNDA VOGAL DO HIATO

·         Na segunda vogal do hiato, o i e o u são acentuados desde que estejam sozinhos (ou + s) na sílaba e não sejam seguidos de nh. Exemplos: distrda, rdo, grdo, baús.

·         O i e o u não são acentuados quando precedidos de ditongo. Exemplo: baiuca.

3. Verbos ter, vir, crer, dar, ler e ver.

 Formas desses verbos que exigem atenção quanto ao acento gráfico.

Ter
Vir
Crer
Dar
Ler
Ver
Ele tem
Ele vem
Ele crê
Que ele
Ele
Ele
Eles têm
Eles vêm
Eles creem
Que eles deem
Eles leem
Eles veem


4. ACENTO DIFERENCIAL – esse acento é:

·       Obrigatório em dois casos:

Ø  Na palavra pôr (verbo), para diferenciar da preposição por (preposição por).

Ø  Na palavra pôde (passado do verbo poder), para diferenciá-la de pode (presente do verbo poder).

·         Facultativo em dois casos:

Ø  Na palavra fôrma/forma, significando “molde ou recipiente”.

Ø  Na palavra demos/demos (1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo dar).

Dados Bibliográficos:

AMARAL, Emília;
PATROCÍNIO, Mauro Ferreira do;
LEITE, Ricardo Silva;
BARBOSA, Severino Antonio Moreira
FTD. 1.ª edição - São Paulo - 2010.
                                                                                                                       Postado em 26/01/2013.